segunda-feira, 3 de julho de 2017

Biblioteca Escolar e Leitura

Na sociedade contemporânea caracterizada pela continuidade e velocidade das mudanças, a informação é fundamental para o posicionamento frente aos desafios cotidianos e para a construção do conhecimento. A informação é também instrumento básico de pesquisa e planejamento, fornecendo dados para os diversos processos nas organizações.
No ambiente escolar, a informação é o principio gerador de conhecimento. Pode ser considerada a base para a produção do conhecimento.
Até pouco tempo, a educação possuía um modelo de transmissão de informações e cultura passiva, sem muita interação no processo ensino-aprendizagem.
Pode-se dizer que hoje, a educação assume um papel mais interativo e globalizado, voltada a um ensino que prepare o individuo para a autonomia, com diversidade de ferramentas e suportes que auxiliam no processo educativo.
De acordo com Braga (2002 apud Castro; Sousa 2008) a melhor forma para usar o conhecimento é utilizá-lo de modo significativo e demonstrando seus significados.
Nesse sentido, a biblioteca inserida no ambiente escolar oferece essa diversidade e suportes citados de maneira significativa, porque visa atender às demandas de informação como: acesso, disseminação, recursos, leitura entre outros. A biblioteca escolar extrapola seu papel de serviço de informação, para abarcar aspectos educacionais, culturais e populares no desenvolvimento de seus usuários.
Contribui para a formação do cidadão, tornando-se parte do sistema escolar e não somente um recurso “a mais”, “uma extensão da sala de aula” no processo ensino-aprendizagem.
O uso da biblioteca escolar também é considerado como o primeiro contato na busca de informações para uma posterior utilização da biblioteca pública e consequentemente a universitária. Estimula-se na biblioteca escolar o uso autônomo de seu espaço para o questionamento, a resolução de problemas e a solução de respostas por parte do usuário, seja ele uma criança que ainda não esta completamente alfabetizada como um adulto-leitor.
Para alguém se tornar leitor é necessário que haja uma experiência de prazer com o texto, que corresponda em determinado momento de sua vida, a uma necessidade, uma busca de desejo que seja saciada, completada.
Iseense (2004) diz que:
Em primeira instância, a leitura literária caracteriza-se como uma atividade intelectual de excelência humana que envolve vários aspectos, como afetivo, cognitivo, lúdico, intelectual. Noutro caminho, o processo da leitura literária constitui-se numa atividade social que exige a construção de habilidades de leitura, não inatas ao homem (ISENSEE, 2004, p.24).

Diz ainda que:
A experiência da leitura literária é uma conversão do olhar que tem a capacidade de ensinar a ver as coisas de outra maneira. Seria como se o olhar rotineiro, que faz parte do mundo real, fosse totalmente abandonado, e um segundo ser passasse a reger e engendrar os olhos, dando-lhes uma nova possibilidade. A entrada do segundo ser significaria a despersonalização do leitor, uma vez que para aceitar essa entrada deve abandonar todas as formas de individualização do mundo administrado (ISENSEE, 2004, p. 25).

Na leitura literária, existe uma relação entre leitor e obra. Nessa relação que é criada, não se espera somente a codificação de um código, do desenvolvimento do processo de alfabetização e letramento e sim, o desenvolvimento global do aluno, da produção de sentido para si, da percepção de mundo que se desenvolve, tornando essa relação leitor-obra em prática social.

CASTRO,C. A.; SOUSA, M. C. P. de. Pedagogia de projetos na biblioteca escolar: proposta de um modelo para o processo da pesquisa escolar. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 13, n.1, p. 134-151, jan./abr. 2008. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pci/v13n1/v13n1a09.pdf >. Acesso em 22 jun. 2017.


ISENSEE, A. S. A Leitura literária na forma humana: um olhar discente. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina, 2004. 79 p. Disponível em: < http://www.bc.furb.br/docs/TE/2004/308412_1_1.pdf>. Acesso em 20 jun. 2017.


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